No meu aniversário de 31 anos, eis o que a minha versão de 13 anos pensaria: a história de uma doula de parto
- 13 de ago.
- 5 min de leitura

Aniversários têm uma maneira curiosa de fazer a gente olhar para trás antes de olhar para a frente.
Ao celebrar meu 31º aniversário, não consigo deixar de pensar na menina de 13 anos que sonhava de um jeito um pouco diferente de todo mundo.
Ela era fascinada pela gravidez.
Curiosa sobre o nascimento.
Completamente encantada pelo mundo da medicina.
Enquanto a maioria das adolescentes pensava em bailes da escola, eu assistia a programas sobre medicina, lia sobre o parto e fazia perguntas demais sobre como os bebês vinham ao mundo.
Olhando para trás...
Não acho que ela fosse estranha.
Acho que ela já estava encontrando o seu propósito.
Ela provavelmente me faria um milhão de perguntas.
Se a minha versão de 13 anos pudesse passar apenas cinco minutos comigo hoje, acho que ela não começaria perguntando quantos anos eu tenho.
Ela provavelmente perguntaria:
"Então... nós conseguimos?"
"Estamos ajudando a trazer bebês ao mundo?"
"As pessoas realmente confiam na gente?"
A resposta seria sim. Mais do que eu jamais imaginei.
Hoje, atuo como doula de parto e pós-parto, e tive o privilégio de acompanhar mais de 100 partos.
Até escrever isso parece surreal.
Porque, aos 13 anos, números assim não significam muito.
Mas agora eles representam algo muito maior.
Mais de 100 famílias.
Mais de 100 momentos em que a vida de alguém mudou para sempre.
Mais de 100 lembretes de que o nascimento nunca é algo comum.
Ela acharia que eu tenho o trabalho mais legal do mundo.
Sinceramente... ela não estaria errada.
Ela provavelmente acharia incrível que meu telefone possa tocar às duas da manhã porque o bebê de alguém está a caminho.
Ela acharia empolgante o fato de que não existem dois dias iguais.
Ela provavelmente diria a todas as suas amigas: "Ela vai a partos!"
E omitiria a parte de ficar acordada por 30 horas.
Ou de jantar à meia-noite.
Ou de tentar encaixar um banho rápido antes de sair de casa novamente.
Algumas coisas são mais empolgantes na teoria do que às três da manhã.
Mas, de alguma forma...
Ainda assim, vale a pena.
Ela não acreditaria no quanto este trabalho me mudou.
Aos 13 anos, eu achava que o parto tinha a ver com bebês.
Hoje, sei que tem a ver com pessoas.
Trata-se de mães descobrindo uma força que não sabiam possuir.
Parceiros encontrando confiança em si mesmos.
Famílias aprendendo a confiar em seus instintos.
Pais conhecendo seu filho pela primeira vez.
São esses os momentos que ficam marcados.
Não por serem dramáticos. Mas por serem profundamente humanos.
Cada parto me ensinou algo. E não apenas sobre o trabalho de parto.
Sobre coragem.
Paciência.
Serenidade.
Confiança.
E sobre o que significa estar verdadeiramente presente para outra pessoa.
Ela ficaria surpresa ao saber que não tenho todas as respostas.
Acho que, quando somos jovens, presumimos que os adultos acabam entendendo tudo.
Spoiler:
Não entendemos.
Depois de acompanhar mais de 100 partos, ainda há momentos que me desafiam.
O parto ainda me traz humildade.
As famílias ainda me ensinam.
Ainda há dias em que saio de um parto refletindo sobre o que aprendi.
E, sinceramente...
Espero que isso nunca mude.
Porque o momento em que paro de aprender é, provavelmente, o momento em que paro de crescer.
Ela teria orgulho das coisas que mais ninguém vê.
Ela poderia pensar que a maior conquista é ter acompanhado mais de 100 partos.
Ou ter me tornado uma doula certificada.
Ou ter fundado a Haven Place Doulas.
Esses são marcos pelos quais sou imensamente grata.
Mas não acho que sejam eles que a deixariam mais orgulhosa.
Acho que ela se orgulharia de eu nunca ter deixado de me importar.
De que, após cada parto longo...
Cada reviravolta inesperada...
Cada noite sem dormir...
Eu ainda atendo o telefone com o mesmo entusiasmo que sentia tantos anos atrás.
Ainda acredito que toda família merece se sentir informada.
Ainda acredito que todo pai e toda mãe merecem ser ouvidos.
Ainda acredito que o parto merece compaixão.
Essa parte de mim não mudou.
Ela jamais imaginaria o que este trabalho me proporcionou.
As pessoas costumam achar que as doulas se doam muito.
E nós realmente nos doamos.
Mas esse trabalho também me deu muito em troca.
Deu-me perspectiva.
Propósito.
Amizades.
Humildade.
Uma valorização mais profunda das famílias.
E inúmeras vezes me lembrou de que as pessoas são capazes de muito mais do que imaginam.
Vi pais fazerem coisas que jamais acreditaram ser capazes de realizar.
Vi o medo transformar-se em confiança.
Vi a incerteza transformar-se em força.
Vi o amor surgir no ambiente antes mesmo de o bebê dar a sua primeira respiração.
Esses momentos moldaram-me tanto quanto moldaram as famílias que acompanhei.
Eu diria a ela para continuar sonhando.
Se eu pudesse me sentar hoje ao lado de mim mesma aos 13 anos, acho que não faria um longo discurso.
Eu simplesmente diria a ela:
Continue fazendo perguntas.
Continue sendo curiosa.
Continue acreditando que o parto importa.
Não porque tudo vai acontecer exatamente como você imaginou.
Não vai.
Mas porque o coração por trás do seu sonho permanecerá o mesmo.
Você vai aprender que o parto não se trata apenas de receber bebês.
Trata-se de ajudar as pessoas a se sentirem seguras.
Ajudá-las a se sentirem ouvidas.
Ajudá-las a confiar em si mesmas.
E um dia...
Você perceberá que é exatamente onde sempre deveria estar.
Um brinde ao próximo capítulo da minha história como doula de parto
Chegar aos 31 anos não parece tanto uma chegada a um destino final, mas sim virar mais uma página.
Ao olhar para trás, vejo que minha trajetória como doula de parto vai muito além de ter acompanhado mais de 100 nascimentos ou de ter me qualificado também como doula de pós-parto. Trata-se de me tornar a pessoa que eu, aos 13 anos, sonhava ser. Cada família que conheci, cada lição que aprendi e cada parto que tive o privilégio de testemunhar moldaram não apenas a doula que sou hoje, mas também a pessoa que continuo a me tornar.
Sou imensamente grata a cada família que confiou em mim, a cada bebê que tive o privilégio de receber neste mundo, a cada acompanhante que vi assumir seu papel na parentalidade e a cada lição que o parto me ensinou ao longo dessa jornada.
Se você fez parte da história da Haven Place Doulas de alguma forma, meu muito obrigada.
Seja por me deixar participar do momento do parto, por me convidar para acompanhar o pós-parto, por acompanhar meu trabalho online ou simplesmente por dedicar um tempo para ler este blog: você também se tornou parte dessa história.
Que venha a continuidade do aprendizado.
Do servir.
Do crescimento.
E que os 31 anos sejam mais um período de estar presente para as famílias com compaixão, informação e o coração aberto.
Porque, se a menina de 13 anos que fui pudesse me ver hoje...
Acho que ela sorriria.
E, sinceramente...
Acho que ela já estaria perguntando qual é o próximo passo da nossa jornada.




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